Dra. Tatiana AchcarOM 69600 · MÉDICA

ARTIGO · SAÚDE DA MULHER

Perimenopausa: os primeiros sinais, e porque começam cedo

A transição para a menopausa começa anos antes, muitas vezes por volta dos 40. Que sinais reconhecer cedo e quando procurar uma avaliação.

Dra. Tatiana Achcar · Médica · Saúde da Mulher · Matosinhos · OM 69600

Duas mulheres numa conversa próxima e atenta, sentadas num ambiente acolhedor com luz natural.

A menstruação começou a mudar de ritmo. O sono ficou mais leve, o humor oscila com mais facilidade e há uma sensação de cansaço que não passa. Por volta dos 40 anos, é comum atribuir tudo isto ao trabalho, ao stress ou à idade, e não perceber que pode ser o corpo a iniciar uma nova fase.

Essa fase chama-se perimenopausa, e antecede a menopausa em vários anos. Reconhecê-la cedo muda a forma como se cuida do corpo neste período. É disso que trata este artigo.

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O que é a perimenopausa

A perimenopausa, também chamada pré-menopausa, é o período de transição entre a idade fértil e a menopausa. A menopausa em si acontece num único momento, e só se confirma depois de doze meses seguidos sem menstruação. Tudo o que a antecede, e que pode durar vários anos, é perimenopausa.

Nesta fase, os ovários produzem estrogénio e progesterona de forma irregular. Não há uma descida em linha reta, há oscilações, uma espécie de montanha-russa hormonal que explica por que razão os sintomas vão e vêm e variam tanto de mulher para mulher.

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Quando começa

A perimenopausa surge habitualmente a partir dos 40 anos, sendo mais comum entre os 40 e os 45. Em algumas mulheres pode começar nos finais dos 30. Não há uma idade exata, porque depende da genética, da história familiar, dos hábitos de vida e de condições de saúde associadas.

Quando as alterações aparecem antes dos 40 anos, vale a pena fazer uma avaliação médica, para compreender o que se passa e excluir outras causas. Reconhecer a fase é o primeiro passo para a acompanhar bem.

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O primeiro sinal: o ciclo que muda

O sinal mais precoce costuma ser a alteração do padrão menstrual. Os ciclos mudam de duração e o fluxo altera-se, ora mais curto, ora mais longo, ora mais intenso, ora mais leve. É o motivo mais frequente de consulta nesta fase da vida.

A menstruação não desaparece de um dia para o outro. Torna-se irregular e imprevisível ao longo do tempo, até deixar de vir. Por isso, ter ainda menstruação não afasta a perimenopausa. A própria irregularidade é o indício.

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Os sinais que se confundem com o dia a dia

Além do ciclo, a perimenopausa costuma trazer outros sinais que se confundem com o cansaço e o stress do dia a dia:

  • afrontamentos e suores noturnos, que podem interromper o sono;
  • dificuldade em adormecer ou em manter o sono;
  • irritabilidade, ansiedade e oscilações de humor;
  • uma sensação de névoa mental, com falhas de memória e de concentração;
  • aumento de peso, sobretudo na zona abdominal, e menos energia;
  • secura vaginal, alterações da libido e maior tendência a infeções urinárias.

Nenhum destes sinais, por si só, confirma a perimenopausa. Vários em simultâneo, na faixa dos 40, justificam olhar com atenção e procurar compreender o que está a acontecer.

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Porque reconhecer cedo faz diferença

Reconhecer a perimenopausa cedo dá nome ao que se está a sentir e tira o peso da dúvida. Ajuda também a agir no momento certo, porque é nesta fase que começam mudanças com efeito a longo prazo, no peso e no metabolismo, na saúde dos ossos e no bem-estar geral.

Não se trata de medicalizar uma fase natural da vida. Trata-se de a atravessar com informação e acompanhamento, para chegar à menopausa com o corpo cuidado e as dúvidas esclarecidas.

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O que uma avaliação observa

O diagnóstico da perimenopausa é sobretudo clínico, feito a partir da idade, do padrão dos sintomas e das alterações do ciclo. Em alguns casos, análises como a FSH e o estradiol ajudam a completar o quadro. A avaliação reúne ainda a história pessoal e familiar, o peso, o sono, o humor e os hábitos, para definir uma orientação individual.

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Perguntas frequentes

Não. A perimenopausa é a fase de transição que antecede a menopausa e pode durar vários anos. A menopausa só se confirma depois de doze meses seguidos sem menstruação.

Sim. Nesta fase a menstruação torna-se irregular, mas ainda existe. A própria alteração do padrão do ciclo é, muitas vezes, o primeiro sinal.

Habitualmente a partir dos 40 anos, mais frequente entre os 40 e os 45, embora possa começar mais cedo. Quando os sinais surgem antes dos 40, faz sentido uma avaliação médica.

O diagnóstico é sobretudo clínico. Em alguns casos, as análises ajudam a completar o quadro. A terapêutica hormonal é uma decisão médica, avaliada caso a caso e muitas vezes em articulação com a ginecologia. A avaliação clínica ajuda a definir o que faz sentido.

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Dra. Tatiana Achcar · Médica · Saúde da Mulher · Matosinhos · OM 69600

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação médica. Cada pessoa apresenta um percurso próprio, que deve ser compreendido de forma individual. Fontes de referência: Sociedade Portuguesa de Ginecologia (Secção de Menopausa); European Menopause and Andropause Society (EMAS); The Menopause Society.