
A menstruação começou a mudar de ritmo. O sono ficou mais leve, o humor oscila com mais facilidade e há uma sensação de cansaço que não passa. Por volta dos 40 anos, é comum atribuir tudo isto ao trabalho, ao stress ou à idade, e não perceber que pode ser o corpo a iniciar uma nova fase.
Essa fase chama-se perimenopausa, e antecede a menopausa em vários anos. Reconhecê-la cedo muda a forma como se cuida do corpo neste período. É disso que trata este artigo.
O que é a perimenopausa
A perimenopausa, também chamada pré-menopausa, é o período de transição entre a idade fértil e a menopausa. A menopausa em si acontece num único momento, e só se confirma depois de doze meses seguidos sem menstruação. Tudo o que a antecede, e que pode durar vários anos, é perimenopausa.
Nesta fase, os ovários produzem estrogénio e progesterona de forma irregular. Não há uma descida em linha reta, há oscilações, uma espécie de montanha-russa hormonal que explica por que razão os sintomas vão e vêm e variam tanto de mulher para mulher.
Quando começa
A perimenopausa surge habitualmente a partir dos 40 anos, sendo mais comum entre os 40 e os 45. Em algumas mulheres pode começar nos finais dos 30. Não há uma idade exata, porque depende da genética, da história familiar, dos hábitos de vida e de condições de saúde associadas.
Quando as alterações aparecem antes dos 40 anos, vale a pena fazer uma avaliação médica, para compreender o que se passa e excluir outras causas. Reconhecer a fase é o primeiro passo para a acompanhar bem.
O primeiro sinal: o ciclo que muda
O sinal mais precoce costuma ser a alteração do padrão menstrual. Os ciclos mudam de duração e o fluxo altera-se, ora mais curto, ora mais longo, ora mais intenso, ora mais leve. É o motivo mais frequente de consulta nesta fase da vida.
A menstruação não desaparece de um dia para o outro. Torna-se irregular e imprevisível ao longo do tempo, até deixar de vir. Por isso, ter ainda menstruação não afasta a perimenopausa. A própria irregularidade é o indício.
Os sinais que se confundem com o dia a dia
Além do ciclo, a perimenopausa costuma trazer outros sinais que se confundem com o cansaço e o stress do dia a dia:
- afrontamentos e suores noturnos, que podem interromper o sono;
- dificuldade em adormecer ou em manter o sono;
- irritabilidade, ansiedade e oscilações de humor;
- uma sensação de névoa mental, com falhas de memória e de concentração;
- aumento de peso, sobretudo na zona abdominal, e menos energia;
- secura vaginal, alterações da libido e maior tendência a infeções urinárias.
Nenhum destes sinais, por si só, confirma a perimenopausa. Vários em simultâneo, na faixa dos 40, justificam olhar com atenção e procurar compreender o que está a acontecer.
Porque reconhecer cedo faz diferença
Reconhecer a perimenopausa cedo dá nome ao que se está a sentir e tira o peso da dúvida. Ajuda também a agir no momento certo, porque é nesta fase que começam mudanças com efeito a longo prazo, no peso e no metabolismo, na saúde dos ossos e no bem-estar geral.
Não se trata de medicalizar uma fase natural da vida. Trata-se de a atravessar com informação e acompanhamento, para chegar à menopausa com o corpo cuidado e as dúvidas esclarecidas.
O que uma avaliação observa
O diagnóstico da perimenopausa é sobretudo clínico, feito a partir da idade, do padrão dos sintomas e das alterações do ciclo. Em alguns casos, análises como a FSH e o estradiol ajudam a completar o quadro. A avaliação reúne ainda a história pessoal e familiar, o peso, o sono, o humor e os hábitos, para definir uma orientação individual.