Dra. Tatiana AchcarOM 69600 · MÉDICA

ARTIGO · LONGEVIDADE E PREVENÇÃO

Envelhecer com saúde: o músculo, a sarcopenia e a longevidade

A massa muscular começa a diminuir a partir dos 40 anos. O que isso significa para a saúde e a autonomia e como agir cedo.

Dra. Tatiana Achcar · Médica · Medicina Preventiva · Matosinhos · OM 69600

Mulher serena junto a uma grande janela, num interior amplo e luminoso, com uma caneca nas mãos.

Vivemos mais anos do que qualquer geração anterior. A questão que se coloca hoje é outra: como chegar a esses anos com energia, autonomia e qualidade de vida? Viver mais e viver bem não são a mesma coisa, e a diferença entre as duas decide-se muito antes da velhice.

No centro dessa diferença, está uma peça que costuma passar despercebida: o músculo. A partir dos 40 anos, o corpo começa a perdê-lo de forma silenciosa, e é aí que uma abordagem preventiva faz sentido.

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Viver mais não é o mesmo que viver bem

A Organização Mundial da Saúde definiu esta como a década do envelhecimento saudável e descreve-o como a capacidade de manter a função que permite o bem-estar ao longo da idade. O foco deixa de estar apenas nos anos vividos e passa para a qualidade desses anos.

Os dados mostram que a esperança de vida cresceu mais depressa do que os anos vividos com saúde. Muitas pessoas ganham tempo, mas passam-no com limitações que poderiam ter sido adiadas. É por isso que a prevenção, iniciada cedo, é hoje o caminho mais sólido para a longevidade.

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A sarcopenia: o músculo que se perde

Sarcopenia é o nome dado à perda progressiva de massa, força e função muscular associada à idade. A Organização Mundial da Saúde reconhece-a como doença desde 2016. Começa de forma discreta por volta dos 40 anos e acelera a partir dos 50.

A perda é lenta e silenciosa, o que a torna fácil de ignorar. Sem medidas de prevenção, uma pessoa pode chegar à idade avançada com metade do músculo que tinha na juventude. Quando os primeiros sinais aparecem, como menos força para subir escadas ou abrir um frasco, o processo já vem de trás.

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Porque o músculo é mais do que força

O músculo não serve apenas para mover o corpo. É o maior reservatório de proteínas do organismo, participa na regulação do açúcar no sangue, protege os ossos e as articulações e tem um papel central no metabolismo.

Por isso, perder músculo tem consequências que vão além da fraqueza. Associa-se a maior risco de quedas e fraturas, a um pior controlo da glicose e à perda gradual de autonomia. Preservar o músculo é, em grande medida, preservar a independência.

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O que acelera a perda

A sarcopenia não é um destino inevitável da idade. Depende, em grande parte, dos hábitos de vida. Entre os fatores que aceleram a perda de músculo, estão:

  • o sedentarismo, sobretudo a falta de trabalho de força;
  • uma alimentação pobre em proteína;
  • as mudanças hormonais da meia-idade, com a descida do estrogénio na mulher, na menopausa, e da testosterona no homem;
  • um estado geral de inflamação.

Compreender o que pesa em cada pessoa é o que permite agir sobre a causa e não apenas sobre o sintoma.

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O que protege o músculo

A boa notícia é que o músculo responde ao estímulo em qualquer idade. Algumas medidas ajudam a preservá-lo e ganham mais sentido quando acompanhadas em consulta:

  • trabalho de força regular, duas a três vezes por semana, com peso, elásticos ou o próprio corpo;
  • proteína suficiente e bem distribuída ao longo do dia;
  • movimento no dia a dia, como caminhar e subir escadas;
  • atenção à vitamina D e a um sono reparador;
  • não fumar e moderar o álcool.
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O que uma avaliação observa

Uma avaliação de envelhecimento saudável olha para o conjunto e não para um valor isolado. Reúne a história pessoal e familiar, a força e a função, a evolução do peso e da composição corporal, alguns indicadores metabólicos e os hábitos de vida. A partir desse retrato, define-se uma orientação individual, com o músculo como uma das peças centrais.

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Perguntas frequentes

A perda começa de forma discreta por volta dos 40 anos e acelera depois dos 50. Quanto mais cedo se cuida do músculo, mais fácil é preservá-lo. Não é preciso esperar por sinais de fraqueza para agir.

Caminhar é importante para a saúde geral, mas não basta para preservar a massa muscular. O que estimula o músculo é o trabalho de força, feito de forma regular e adaptado a cada pessoa.

A descida do estrogénio na menopausa contribui para a perda de músculo e para a mudança na composição do corpo. Nos homens, a descida da testosterona tem um efeito semelhante. É um bom momento para dar atenção ao tema.

Para a maioria das pessoas, o essencial é garantir proteína suficiente na alimentação. Os suplementos só fazem sentido em alguns casos e devem ser orientados. A avaliação clínica ajuda a definir o que é adequado para si.

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DRA. TATIANA ACHCAR · MÉDICA · MEDICINA PREVENTIVA · MATOSINHOS · OM 69600

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação médica. Cada pessoa apresenta um percurso próprio, que deve ser compreendido de forma individual. Fontes de referência: Organização Mundial da Saúde; European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP); Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia.