Dra. Tatiana AchcarOM 69600 · MÉDICA

ARTIGO · PESO E SAÚDE METABÓLICA

Os medicamentos para emagrecer: o que são e o papel do médico

As canetas para perder peso estão em todo o lado. O que a medicina mostra sobre elas, porque não servem a toda a gente e o que acontece quando se interrompe o uso.

Dra. Tatiana Achcar · Médica · Medicina Preventiva · Matosinhos · OM 69600

Grupo de mulheres num treino leve de força com faixas elásticas, numa sala com luz natural.

Poucos temas de saúde ganharam tanto espaço nos últimos anos. As chamadas “canetas emagrecedoras” passaram das prescrições para as conversas de café e, com elas, vieram muitas dúvidas e uma avalanche de desinformação. Vale a pena olhar para o assunto com calma e com base clínica.

Este artigo tem caráter informativo. O objetivo é ajudar a compreender o que são estes medicamentos, para quem fazem sentido e porque nada disto se faz sem acompanhamento médico, alimentação cuidada e mudança de hábitos.

01

O que são, afinal

Pertencem a uma classe de medicamentos chamada agonistas do recetor GLP-1, à qual se juntou mais recentemente uma variante que atua em dois recetores, o GLP-1 e o GIP. Foram desenvolvidos para a diabetes tipo 2 e passaram a ser usados também no tratamento da obesidade.

Atuam, sobretudo, no intestino e no cérebro. Aumentam a sensação de saciedade, tornam o esvaziamento do estômago mais lento e ajudam a regular o açúcar no sangue. O resultado é menos fome e maior facilidade em comer menos, o que ajuda na perda de peso.

02

Para quem são, e para quem não são

Estes medicamentos têm indicações clínicas definidas. São dirigidos a pessoas com obesidade, ou com excesso de peso acompanhado de outras doenças, e a algumas pessoas com diabetes tipo 2. São de prescrição médica e não se destinam a quem quer perder poucos quilos por razões estéticas.

A obesidade é uma doença crónica, multifatorial, e não uma simples questão de força de vontade. É por isso que o tratamento exige avaliação médica e não uma decisão tomada com base no que circula nas redes sociais. O uso por quem não cumpre os critérios traz riscos e, em Portugal, tem contribuído para a falta destes medicamentos para quem deles precisa.

03

Os efeitos e os limites

Como qualquer medicamento, têm efeitos secundários. Os mais comuns são digestivos, como náuseas, vómitos, diarreia ou obstipação, sobretudo no início, e tendem a melhorar com o ajuste da dose. Existem riscos menos frequentes e contraindicações, que só uma avaliação médica consegue pesar em cada caso.

Há ainda um ponto pouco falado. Quando a perda de peso é rápida, parte do que se perde é músculo, e não apenas gordura. Por isso, cuidar da proteína na alimentação e manter o treino de força são partes do tratamento, para preservar a massa muscular e a saúde a longo prazo.

04

O que acontece quando se para

Esta é uma das maiores dúvidas, e com razão. Quando o medicamento é interrompido sem preparação, o peso tende a voltar. Não é uma falha da pessoa. É o reflexo de a obesidade ser uma doença crónica, que não desaparece só porque a balança desceu por uns meses.

Por isso, parar exige tanto cuidado como começar. O chamado desmame deve ser pensado com o médico, com um plano de manutenção assente em hábitos sólidos. Interrupções bruscas e por conta própria são das principais causas de recuperação do peso.

05

A alimentação e o estilo de vida são a base

O medicamento é um apoio e não um substituto. Sem mudança de hábitos, o efeito não se sustenta no tempo. A alimentação, o movimento, o sono e a gestão do stress continuam a ser o alicerce de qualquer tratamento do peso.

  • uma alimentação com proteína suficiente, que sacia e protege o músculo;
  • treino de força regular, para preservar a massa muscular durante a perda de peso;
  • movimento no dia a dia e atenção ao sono;
  • acompanhamento próximo, muitas vezes com o apoio da nutrição.

06

Porque o médico é essencial

Estes medicamentos são de prescrição médica por um motivo. Cabe ao médico avaliar se há indicação, escolher a abordagem, ajustar a dose com cuidado, vigiar os parâmetros de saúde, gerir os efeitos e preparar o momento de parar. Comprar sem receita, em plataformas online ou por indicação de terceiros, é um risco sério e desnecessário.

A decisão informada e acompanhada é o que separa um tratamento seguro de uma moda perigosa. É esse o valor de uma avaliação séria, feita pessoa a pessoa.

07

Perguntas frequentes

Estes medicamentos têm indicações clínicas definidas e são de prescrição médica. Não se destinam a quem quer perder poucos quilos por razões estéticas. Só uma avaliação médica pode dizer se há indicação no seu caso.

Sem um plano de manutenção, o peso tende a voltar, porque a obesidade é uma doença crónica. Por isso, o momento de parar deve ser preparado com o médico e apoiado em hábitos sólidos.

Quando a perda de peso é rápida, parte do que se perde é músculo. Garantir proteína suficiente e manter o treino de força ajudam a preservar a massa muscular durante o tratamento. Importante perceber que a bioimpedância não consegue "enxergar" a gordura infiltrada em meio às células musculares. Se a gordura corporal, de uma forma geral, é perdida, tem-se a impressão de que a massa muscular ("que emagreceu") foi perdida.

Não. São medicamentos de prescrição médica e o uso sem acompanhamento traz riscos. A compra em plataformas não fiáveis é perigosa e deve ser evitada.

MARCAR CONSULTA

Se procura uma abordagem médica e séria para o peso

A avaliação do peso e da saúde metabólica, em medicina preventiva, é realizada em Matosinhos. Para marcar uma consulta ou esclarecer uma dúvida, entre em contacto.

WhatsApp +351 926 060 799 · Av. da República 679, sala 5.5, 4450-068 Matosinhos

DRA. TATIANA ACHCAR · MÉDICA · MEDICINA PREVENTIVA · MATOSINHOS · OM 69600

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta de avaliação médica, nem constitui recomendação de qualquer medicamento. Cada pessoa apresenta um percurso próprio, que deve ser compreendido de forma individual. Fontes de referência: Infarmed; Ordem dos Médicos (Colégio de Endocrinologia e Nutrição); Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade; Organização Mundial da Saúde.